PANDEMIAS E O PROBLEMA DO FRACASSO DE ESPECIALISTAS – PARTE 2

PANDEMIAS E O PROBLEMA DO FRACASSO DE ESPECIALISTAS – PARTE 2

By Edson Agatti
April 29, 2020 23:17
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Por Roger Koppl

Parte 2: Os especialistas devem concordar?

No meu último ensaio da EconLog, examinei o trade off impossível entre especialistas de diferentes áreas. Argumentei que cada área de especialização é como um silo separado, e não temos como encontrar um equilíbrio entre essas perspectivas concorrentes. É por isso que a política das decisões concernente à pandemia é tão difícil. Neste ensaio, quero discutir uma forma diferente de fracasso dos especialistas: a uniformidade de opinião dentro das áreas de especialização. Com a velocidade, escala e o escopo dessa pandemia, precisamos nos afastar das ortodoxias rígidas e nos adaptarmos a novos modelos. Mas essa flexibilidade é frustrada pela inserção de especialistas em profissões que geralmente contam com apoio do governo. É preciso haver diversidade de pontos de vista e discussões significativas para conquistar as novas ideias que precisamos para combater este vírus. A ortodoxia forçada das associações profissionais frustra a iniciativa de que tais investigações sejam feitas com liberdade.

Profissões como medicina, direito e farmácia existem para manter os não profissionais fora do círculo das profissões. O modelo de especialização, certificação, educação profissional e educação continuada foi aplicado em todo o mundo e em todas as disciplinas. Pegue a medicina como exemplo. Nos EUA, você não pode obter uma licença médica, a menos que se forme em uma escola de medicina credenciada. E adivinhe quem faz o credenciamento? A rigor, é o Comitê de Ligação em Educação Médica (LCME). Mas eles são “patrocinados pela Associação Americana de Faculdades de Medicina (AAMC) e pela Associação Americana de Medicina (AMA)”. Em termos grosseiros, os médicos decidem quem pode ingressar no clube e a AMA é o comitê de associados. Pense nos incentivos que isso cria. Obviamente, os médicos têm um incentivo para restringir a entrada. Pessoas de fora devem ser mantidas de fora. Isso é ruim para você e eu. Os serviços de saúde custam mais e temos menos. Menos óbvio é o incentivo à uniformidade de opinião e a maneira que isso pode ser desastroso.

Existe um incentivo à uniformidade de opinião, porque médicos e outros profissionais lucram com o conhecimento oficialmente reconhecido de sua profissão. Se houver muita discordância entre os especialistas em um campo, podemos começar a duvidar deles. Sim, doutor, mas por que devo acreditar em você? A uniformidade de opinião se torna um imperativo. Médicos e outros especialistas são mantidos afastados de supostos charlatanismos, “por todo um corpo de conhecimento profissional que lhes oferece ‘provas científicas’ da loucura e até da maldade do desvio”. Quem está dentro devem ser mantido dentro. Pense num “muro de Berlim epistêmico”.

Essa ortodoxia forçada cria um incentivo para se prever desgraça para qualquer um que seja tolo o suficiente para desprezar o conselho dos especialistas. “Assim, a população em geral é intimidada por imagens da destruição física que se segue” de ir contra o conselho do médico ou do economista.

Tudo isso cria uma dinâmica duvidosa em tempos de crise. Esperamos que os especialistas não discordem. Somos correspondentemente rápidos em seguir seus conselhos, mesmo que talvez sem muita atenção crítica. O modelo da pandemia do Imperial College pode ser um exemplo. Este é o modelo que previu 2,2 milhões de mortes nos EUA. Parece ter fator importante que levou pelo menos alguns governadores dos EUA a colocarem seus estados em confinamento. Eu não pretendo julgar se o modelo do Imperial College é bom ou ruim, ou se esses governadores fizeram escolhas boas ou más. Mas foi interessante a surpresa de muitas pessoas quando o modelo de Oxford surgiu para concorrer. Essa surpresa parece ter inspirado notícias explicando que um modelo é, bem, só um modelo e não a coisa de verdade. Quando projetou-se 2,2 milhões de mortos assumiu-se “ausência de quaisquer medidas de controle ou mudanças espontâneas no comportamento individual”. E, no entanto, essa qualificação vital caiu na visão do público, já que vários especialistas em segunda mão previram desgraça não qualificada. Vimos até brigas sobre se as observações subsequentes do autor principal do relatório foram ou não uma retratação. (Alerta de spoiler: na verdade não.)

Quaisquer que sejam os méritos do modelo do Imperial College ou do modelo de Oxford, quaisquer que sejam os méritos dos muitos lockdowns que vimos, não devemos gostar da ortodoxia forçada ou do incentivo que isso cria para prever desgraça para os que são tolos o suficiente para desprezar os especialistas. Devemos procurar um melhor sistema de influência especializada na política social. Compartilharei algumas reflexões sobre esse assunto no meu próximo ensaio sobre EconLog, o último desta curta série.

Roger Koppl é professor de finanças na Whitman School of Management da Universidade de Syracuse e diretor do Instituto Whitman para uma Sociedade Empreendedora.

Artigo original publicado pelo site Econlib
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