A Peste Negra e o Coronavírus: Lições do Século 14

A Peste Negra e o Coronavírus: Lições do Século 14

By Edson Agatti
June 12, 2020 18:07
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Crow moon



Por Lawrence W. Reed

Por mais grave que seja a situação da atual pandemia do Coronavírus, ela se mostra bem amena quando a comparamos com a praga mais mortal da história da humanidade. Pode ser reconfortante colocar as coisas em perspectiva histórica. Poderia ser muito pior, e há sete séculos atrás, com certeza foi.

O ano era 1347. A invasão mongol de Caffa, cidade portuária da Crimeia no Mar Negro, entrou em colapso por dentro: uma doença devastadora trazida involuntariamente da China matou grande parte dos invasores e minou a moral daqueles que sobraram. Antes dos mongóis abatidos recuarem, eles executaram um último ataque. Os invasores distribuíram suas catapultas de madeira e atiraram os corpos de seus mortos por cima dos muros para dentro da cidade, em um exemplo ancestral de guerra biológica.

Meio século antes, Caffa havia sido comprada dos mongóis por comerciantes da República de Gênova, que hoje fica na Itália. Eles o transformaram em um próspero centro comercial, mas que também abrigava um dos maiores mercados de escravos do mundo da época. Isso foi possível até que as relações com os mongóis se deterioraram e uma guerra iniciou.

Quando os corpos das vítimas da peste aterrissaram dentro de seus muros, o povo de Caffa escapou de barco e navegou para Gênova, Veneza e Pisa - junto com a doença e os ratos e pulgas que eram seus principais portadores. Em questão de semanas, a península italiana se tornou o novo epicentro de uma epidemia conhecida como "Peste Bubônica" ou "Peste Negra". Acabaria com pelo menos um terço e talvez até metade da população humana da Europa.

Cinquenta e seis mil pessoas morreram em um único mês na cidade de Marselha, França. Florença, na Itália, viu 50% de seus 100.000 habitantes serem eliminados. Em algumas das aldeias mais atingidas, três quartos dos cidadãos morreram em pouco tempo.

Robert S. Gottfried nos conta como a Peste Negra chegou a Londres no final de setembro de 1348. Londres era a maior cidade da Inglaterra, mas abrigava meras 50.000 pessoas em pequeno espaço com condições sanitárias precárias. O impacto causado pela praga foi impressionante:

Programado para se reunir em Westminster no outono de 1349, o Parlamento nunca se reuniu. A Peste Negra perdurou até o final da primavera de 1350 e matou entre 35% e 40% da população de Londres - um número que alguns estudiosos estimam em até 50%. Já que Londres oferecia excelentes oportunidades de progresso social e econômico e era atraente para os imigrantes, sua população provavelmente começou a aumentar a partir do momento em que a praga desapareceu. Ainda assim, a cidade não teve 50.000 pessoas novamente até o início do século XVI.

O relato de Gottfried é um dos vários excelentes livros sobre a peste negra. Listei outras pessoas entre as leituras recomendadas abaixo. Se esta época lhe interessa, não perca o trabalho clássico de Giovanni Boccaccio chamado The Decameron. Esta descrição na Amazon do clássico do século XIV pode estimular seu apetite:

Com relatos da Peste Negra, The Decameron é uma coleção de 100 contos relatados por um grupo de sete mulheres e três homens, escondidos em quarentena voluntárias enquanto esperavam passar a praga da pandemia que varria Florença. As histórias de The Decameron variam do erótico ao trágico e ao cômico, desde piadas frívolas a lições de vida significativas. É um das obras mais significativas e influentes da literatura européia, e considerada uma obra-prima da prosa clássica italiana antiga.

As medidas adotadas hoje para combater o vírus COVID-19 serão melhor avaliadas em retrospectiva, mas algumas delas são claramente invasivas e aos direitos civis que pessoas livres prezam; algumas destas também podem se provar com o tempo de serem ineficazes ou contraproducentes no combate ao próprio vírus. De qualquer forma, como escrevi em "O verdadeiro teste de uma nação vem depois da crise" e em "Um vírus pior que o de Wuhan", devemos estar vigilantes ou um problema a curto prazo será transformado em tirania de longo prazo.

No entanto, as respostas à peste negra no século XIV fazem as nossas até agora parecerem amenas.

Em sua história fascinante, A Peste Negra, o historiador Philip Ziegler relaciona casos em que lares de enfermos foram trancados e isolados, deixando as pessoas morrerem do lado de dentro. Corpos às dúzias, e até centenas, eram enterrados em covas rasas, e logo eram desenterrados e espalhados por animais selvagens. O sangramento intencional foi amplamente considerado como um tratamento profilático e paliativo - mas é claro que só enfraqueceu quem se sujeitou a isto.

Em alguns bairros mais perversos, a doença foi atribuída a minorias impopulares (como judeus ou ciganos), levando a perseguições e massacres. Para centenas de milhares se não milhões ou de europeus, o "tratamento", mostrou-se bem pior que doença.

John Kelly, em A Grande Mortalidade, revela que os burocratas do governo local se aproveitavam da crise. Por exemplo, em Florença: "Durante 1348", ele escreve, "funcionários municipais roubaram 375.000 florins de ouro das heranças e propriedades dos mortos". Crime e desordens generalizadas tornaram-se uma desculpa para impor sanções e perseguições draconianas.

Iniciada em 1347, foram necessários quatro anos de agonia para Peste Negra terminar, e necessários outros 200 anos para a população da Europa voltar ao seu nível prévio.

Ao esperamos ansiosamente o fim desta pandemia, devemos agradecer que vivemos no século 21, e não no 14.

Artigo original publicado pelo FEE.

 


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