ECONOMIA DO CORONAVÍRUS: RELATOS DE UM COLAPSO ECONÔMICO ESTÃO BASTANTE EXAGERADOS

ECONOMIA DO CORONAVÍRUS: RELATOS DE UM COLAPSO ECONÔMICO ESTÃO BASTANTE EXAGERADOS

By Edson Agatti
March 25, 2020 19:01
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RELATOS DE UM COLAPSO ECONÔMICO ESTÃO BASTANTE EXAGERADOS



Em meio ao lock-down da atual crise do Coronavirus, diversos economistas tem nos alarmado para uma iminente grave recessão, e que a economia global pode demorar anos para se recuperar.

Enquanto isso, o prêmio Nobel Vernon Smith crê que os relatos de um colapso iminente da economia em decorrência do Coronavirus estão bastante exagerados e aposta que, uma vez passada a pandemia, a economia se recuperará de forma rápida. Versão original do artigo originalmente públicada aqui no site de notícias USA Today. Segue abaixo a versão traduzida pelo Hayek Global College:

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Hoje a economia está em suspensão, não em queda livre. A pandemia passará. As cadeias de suprimentos serão reabastecidas. Os mercados de valores mobiliários se recuperarão e o crescimento continuará.

Vernon L. Smith

Em momento de férias da Chapman University, estou agora “confinado” pela pandemia em minha casa em Tucson, onde moro parte do ano. O quarto de quatro casos de COVID-19 no município de Pima (população de pouco mais de um milhão) foi anunciado enquanto eu escrevia isso – e aqui é um paraíso da segurança. Mas o tráfego nas ruas está intenso, os mercados estão lotados, e as pessoas estão passeando por diversas prateleiras vazias e comprando nas que ainda não estão vazias.

Os americanos estão vendendo títulos e ações e comprando papel higiênico enquanto Donald Trump pede que para todos praticarem distanciamento social por pelo menos dois metros de distância e limitarem aglomerações em não mais que 10 pessoas. As lojas locais anunciaram que idosos como eu poderão comprar nas prateleiras vazias por uma hora antes do horário de abertura.

Há uma profunda lição econômica escondida nesta corrida para estocar bens de consumo comuns, coordenada espontaneamente por receios generalizados de escassez de suprimentos e falta de estoque.

Os preços guiam a economia

Por que, durante quase toda a nossa vida de experiências como compradores, nenhum de nós tem a menor preocupação de que, quando formos às lojas locais, tudo o que poderíamos desejar estará esperando por nós nas prateleiras? Nós nunca pensamos nessas coisas porque não temos necessidade ou motivação para pensar nelas. Operamos profundamente imersos em um mundo de preços, com bens e serviços disponíveis, e nunca pensamos nisso. Nenhum escritório central, pessoa ou departamento está no comando. No entanto, vastas cadeias de suprimentos circundam o mundo e, coordenadas por pessoas governadas por preços, garantem que seu chá verde, manteiga, atum enlatado e papel higiênico o aguardem silenciosamente sempre que você decidir comprar. Cada um de nós gerencia um único fragmento desse todo, e isso é suficiente.

Bem-vindo ao milagre do mercado de consumo, que exige apenas que você pague por qualquer coisa que compre, e que os vendedores não representem ou anunciem falsamente seus produtos. Consequentemente, os preços constantemente se adaptam e mudam em resposta a eventos próximos e distantes que fazem o preço do porco cair ou do frango subir. Quando seu governo pensou que poderia melhorar a qualidade do ar ao exigir que o etanol fosse adicionado à gasolina, você nem percebeu que o preço das tortilhas aumentou, aqui e no México.

Nem todos no mundo são agraciados por essa liberdade econômica. Aqueles que vivem Coréia do Norte de noites escuras, ricos em carvão e potencial humano, mal conseguem se alimentar. Por outro lado, e irmãos e irmãs culturais do sul, da mesma língua histórica, vivem numa abundância bem iluminada. Da mesma forma, os cidadãos venezuelanos vivem no país mais rico em reservas de petróleo. O governo instituiu controles de preços com o objetivo de permitir que os pobres comprassem alimentos mais baratos, enquanto muitos americanos elogiaram tamanha compaixão. A consequência foi escassez e mercado negro. Então, o governo compassivo apreendeu os supermercados e agora a Venezuela não pode nem alimentar seu povo.

Fiel a esse modo de pensar, muitos de nossos governos estaduais aprovaram leis populistas contra a “prática abusiva de preços”. Tais controles de preços, qualquer que sejam os nomes dados, só aumentam a escassez atual à medida que os consumidores correm para comprar, enquanto os produtores, que não precisariam de instruções nem impedimentos policiais, esgotam todas as possibilidades de aumentar a produção. A motivação primária para toda poupança e investimento é de fornecer segurança contra perdas na atual produção e de aumentar as reservas de consumo potencial que podem ser aproveitadas no futuro.

A economia não está em queda livre

Nem todos os mercados, no entanto, nascem iguais. No laboratório, as experiências para mercadorias que não podem ser renegociadas com facilidade convergem para o equilíbrio previsto de oferta e demanda sob condições de informações estritamente privadas e dispersas. Em contrapartida, o mercado de bens de consumo não duráveis, são sólidos como uma rocha. Ademais, esses mercados são muito grandes, constituem 75% do produto privado (produto interno bruto menos gastos do governo).

Em nítido contraste, estudos de laboratório sobre mercados de valores mobiliários persistentemente geram bolhas de preços em ambientes com informações perfeitas sobre seu valor fundamental. Além disso, experimentos provam que essa propensão de criar bolhas acontecem somente e precisamente porque são itens não renegociáveis. Esses estudos nos ajudam a entender por que toda instabilidade econômica decorre dos mercados de bens duráveis, especialmente nos mercados de hipotecas, como vimos na Grande Recessão e na Depressão, quando os preços das casas caíram contra as dívidas hipotecárias, mergulhando as famílias dividas. Proprietários de casas com valores menores do que suas dívidas nos bancos não se sentiam muito prósperos. Os experimentos também nos ajudaram a entender por que os mercados de valores mobiliários são tão voláteis, mas não são fonte fundamental de instabilidade, como é a habitação, porque os empréstimos do mercado de valores mobiliários são empréstimos exigíveis a curto prazo,  e os balanços dos investidores são fixados ao mercado na medida que os preços caem, e não há acúmulo de patrimônio líquido negativo para atenuar expectativas de longo prazo.

Acredito que a economia hoje vive em suspensão, não em queda livre. A pandemia passará; as instituições de saúde pública têm sido um modelo de disseminação direta de informações sobre a propagação dessa doença e os procedimentos sanitários para minimizar seu impacto. Foram os cidadãos que têm sido indisciplinados por certo tempo. As cadeias de suprimentos se reabastecerão e se estabilizarão rapidamente, e quando a pandemia passar, os mercados de valores mobiliários se recuperarão, e o crescimento vai continua a reduzir a pobreza em todos os lugares. As casas são mais valiosas do que nunca como um refúgio de vida segura. Desde que continuemos a comprá-los com nosso próprio dinheiro, as casas serão um porto seguro para nosso futuro.

Mantenha-se saudável, bem alimentado, com roupas adequadas, e quente em sua casa nesta economia suspensa. Não “caia na conversa fiada”, nem pelos produtos e nem pelos políticos, e mantenha a fé.

Vernon L. Smith é o George L. Argyros endowed chair em finanças e economia na Chapman University e membro do conselho de administração do Mercatus Center na George Mason University. Ele é o Prêmio Nobel de economia em 2002.

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