Os grupos de pressão na política e os seus comportamentos altruístas.

Os grupos de pressão na política e os seus comportamentos altruístas.

By Edson Agatti
October 29, 2020 15:07
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puxando corda



Nota do editor

Este artigo merece o nosso destaque como um dos melhores artigos da Primeira Chamada de Artigos do Hayek Global College. 

Parabéns ao autor Luis Henrique da Silva, profissional de Gestão Empresarial e Graduando  em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Acre!

Confira abaixo da linha o seu artigo na integra.


Por Luis Henrique da Silva 

Segundo o economista Ludwig von Mises (1881-1973), "um grupo de pressão é um grupo de pessoas desejoso de obter um privilégio às custas do restante da nação"¹. Esse tipo de militância teve a sua primeira aparição no século XIX, quando os governos começaram a intervir nas disputas políticas para garantir o bem comum- de acordo com o entendimento deles, é claro. Porém, o resultado dessa intervenção foi justamente o oposto do que se esperava, pois na prática, os monopolistas estatais adotaram uma atitude paternalista, ou seja, começaram a agir como se fossem os pais da nação e em consequência disso, passaram a ceder privilégios para satisfazer os interesses de alguns indivíduos. 

No contexto político brasileiro, após a quebra do pensamento hegemônico, da monopolização do discurso pelos socialistas brasileiros- socialistas ao estilo social-democrata²- e com os protestos contra o governo do Partido dos Trabalhadores (PT) nos anos de 2013 até 2016, deu-se início a uma disputa ferrenha entre os grupos de pressão liderados por figuras políticas que arrogaram para si o título de porta-vozes dos demais indivíduos- e até hoje pensam isso. Eles (porta-vozes) são apenas pessoas comprometidas com o altruísmo, uma vez que, os mesmos se organizam para obterem certas vantagens sob os esforços alheios através de uma "mãozinha" dos estadistas. 

A filósofa Ayn Rand (1905-1982) é uma grande crítica ao comportamento altruísta³. Em sua filosofia chamada Objetivismo4, ela propõe o conceito denominado de egoísmo racional, que é o planejamento racional das ações do ser humano para a realização do que é do seu próprio interesse, sem que para isso ele use os outros como um meio para a concretização de um dado fim. Desta forma, Rand mostra que ninguém deve ser obrigado a fazer algo por determinação de terceiros.

Diante do exposto, se faz necessário substituir esse comportamento altruísta por ações com base na liberdade individual- livre exercício da busca pela realização do seu auto interesse. Primeiro, é preciso uma formação educacional pró-liberdade dos indivíduos, o que pode ser muito bem feito por grupos de estudos independentes e institutos especializados nessa temática. Segundo, desenvolver métodos eficazes que ajudem os interessados a aplicarem o que aprenderam no cotidiano, considerando o contexto de cada situação. Terceiro, cooperar voluntariamente uns com os outros com o objetivo de propor soluções racionais para resolver problemas reais- digo isso pois alguns veem problemas onde não tem. Dessa forma, várias pessoas poderão ser informadas sobre os motivos do altruísmo ser prejudicial e buscarem adotar medidas tanto para lidar como para evitar esse tipo de atitude.

Notas

1- Como por exemplo, empresários que se valem do protecionismo, isto é, buscam proteção estatal para fugirem da concorrência com outras empresas.

2- Hans Hoppe, em seu livro Uma Teoria do Socialismo e do Capitalismo, define que no socialismo ao estilo social democrata é permitido que alguém tenha uma propriedade privada, porém, ela deve estar a serviço do bem comum de todo o povo.

3- Um comportamento altruísta é quando alguma pessoa quer obrigar uma outra a sacrificar os seus interesses em favor do bem coletivo.

4- Recomendo a leitura da obra Ayn Rand e os devaneios do coletivismo- Dennys Xavier (Coleção Breves Lições).

Referências bibliográficas:


   
MISES, Ludwig von. As Seis Lições. Trad. Maria Luiza Borges, 7° edição. São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2009, cap. 6, pág. 91-93. 


    GARSCHAGEN, Bruno. Pare de acreditar no governo: por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado. 13° ed. Rio de Janeiro: Record, 2020, cap. 7, pág. 226-247.


     RUA, Profa. Dra. Maria das Graças. Ciência Política: Conceitos básicos. Instituto de Gestão Econômica e Políticas Públicas (IGEPP). 2015, pág. 1-13. 


    HOPPE, Hans-Hermann. Uma Teoria do Socialismo e do Capitalismo. 1988. Trad. Bruno Garschagen. 2° ed. São Paulo: Instituto von Mises Brasil, 2013, cap. 3, pág. 57-61. 


    XAVIER, Dennys. Ayn Rand e os devaneios do coletivismo (Coleção Breves Lições). São Paulo: LVM Editora, 2019. Cap. 2, pág. 78-82. 


    RAND, Ayn. A Virtude do Egoísmo. Traduzindo por On Line Assessoria em Idiomas. Porto Alegre: Ed. Ortiz/ IEE, 1991. Cap. 1, pág. 17-35.

 

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